blog da oficina literária


UM TEXTO INQUIETANTE EM ANÁLISE:

“DE QUE LADO VOCÊ SAMBA?”

DE SIDEREUS NUNCIUS

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De que lado você samba?

 

Eu vi a viatura da Polícia Civil chegando junto comigo pela emergência. Deixaram o colega e foram. Um comportamento que me chamou a atenção. Parece que também chamou a atenção de uns soldados PMs que estavam aguardando notícia do companheiro ferido. Nem se interessaram muito e dar detalhes. Largaram o cara e foram. Deve ser bandido e não colega, pensei.

Subi ao centro cirúrgico e enquanto eu me fantasiava de abacate entrou o anestesista e disse: temos um baleado: policial civil, dois tiros no peito. É... Se fosse vagabundo não chegaria vivo ao hospital. Não dei muita bola à primeira impressão... Fomos conversando amenidades até a sala.



Escrito por blog_oficina às 01h07
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De que lado você samba? Cont.

Chegou o tal sujeito na sala. Havia um dreno saindo do pulmão e não parava de colher sangue. Já era a segunda bolsa. O anestesista perguntou as coisas de sempre: horário da última refeição, se ele era alérgico a alguma coisa, se ele já tinha feito alguma cirurgia antes e se ele havia se drogado. Respondeu não com a cabeça a todas as questões, mas na última arregalou os olhos.

Cocaína? Depois de alguns segundos imóvel fez que sim, timidamente, com a cabeça. Isto explicava muita coisa. Estava fazendo merda, foi reconhecido e ainda deu trabalho para a equipe de plantão. Não me admira que tenham largado ele lá e ido embora.

Cocaína é uma merda mesmo. A anestesia simplesmente não pegava. Enquanto isto a equipe corria com as bolsas. "Vai acabar o sangue do hospital", disse a cirurgiã staff. "Não vai não", me disse o anestesista baixo: "tiro de fuzil, é muita energia no impacto, quando perfura já está resolvida a lesão"

"Vai, entuba". Me disse o anestesista já me dando o laringoscópio, com a maior calma do mundo. "Eu nunca fiz isto antes". Era a minha chance de aprender. Acho que ninguém estava realmente preocupado com ele... Muito menos eu.

"O que vamos fazer?", "Ele vai acabar com o sangue do hospital..", discutiam os cirurgiões: dois staffs e uns três residentes, não lembro bem. O anestesista calmamente disse em tom irônico, era finalmente a sua vingança: "calma, vejam isto:" Pressão positiva no respirador e o pulmão colapsado se inflou. Tapou os furos de bala, ele parou de sangrar enquanto a equipe olhava atônita.

Diminui a pressão. Retirou o tubo. Mas nada dele voltar. Deu uns tapas na cara, provocou dor. Nada. Cocaína realmente é uma merda. Disse para a enfermeira: "Monitora ele que eu vou jantar", "Você vem comigo?", me perguntou. Afinal, quem se importa?

Saíndo, a vingança não poderia ser mais completa: "O que eu ponho na ficha?" Perguntou a residente em cirurgia. Afinal, tinha mobilizado a equipe, a sala e material. Precisava justificar alguma coisa. O anestesista nem olhou para trás, apenas disse com desdém: "Escreve qualquer coisa..."

Acho que esta futura cirurgiã, por incrível que pareça, viu que tem um colega em quem confiar na sala.

 

Sidereus Nuncius

 

http://seiqnadasei.blogspot.com/



Escrito por blog_oficina às 01h03
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De que lado você samba? - Cont.

Olá, Sid? Tudo bem?

Bem, caro amigo Sid (este é seu nome verdadeiro? Ou é nick?). Você inaugura neste espaço da nossa Oficina Literária uma prática pouco comum, que é esta de analisar seu próprio texto. E isso mostra que você tem imaginação e seu poder de criação é bem intenso.

Acredito que já vem "escabriado" (essa palavra existe?) da polêmica que o texto levantou no seu blog lindo, que visito sempre e leio com a maior curiosidade e entusiasmo. Parabéns. Viu? O que eu vi no seu texto vou dizê-lo por inteiro, na hora da minha análise. Tive que pesquisar sobre o assunto na internet para não parecer tão ignorante sobre o Ato Médico como o sou realmente, apesar de o tema me comover muito, em todos os sentidos. Um abraço. Gostei muito do seu texto, e da lucidez da sua análise também. Saludos. Maria José Limeira.



Escrito por blog_oficina às 01h01
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De que lado você samba? - Cont.

Analisando meu próprio texto.

Obrigado Maria por ter posto o meu texto para análise. (vou ver se sai alguma coisa sobre catalepsia no blog...:-)

  O primeiro fato a ser observado, mas que eu considero de menor importância, é que eu não pretendo ser escritor, e sim médico. A questão única que traz a tona este meu comentário é que tudo que eu escrevi foi vivido e com uma certa emoção, não só porque envolve a vida de outros, mas também porque envolve a obrigatoriedade implícita de se por em prática conhecimentos que por deficiência exclusiva minha não foram conseguidos em sala de aula. Mesmo sabendo que como acadêmico tenho a liberdade de errar.

   No texto em questão, inconscientemente, eu tratei de três questões importantes para o trabalho médico em uma grande cidade, em um grande hospital:

   1) O tratamento de um paciente que algumas pessoas desejariam estar morto. Eu tomo o lado, no texto, de dar pouca importância a ele. Eu vejo um texto literário (o que escrevi decididamente não é um texto médico) como uma exposição de situações direcionadas a fazer o leitor pensar, e, eventualmente, colocar-se, até mesmo contra o autor. Cabe lembrar aqui que nenhuma das atitudes tomadas na sala de cirurgia

poderiam ser consideradas, sob qualquer aspecto, "erradas". E o paciente sobreviveu com um mínimo de sequelas.

   2) Inconscientemente, apareceu a questão da disputa entre cirurgiões e anestesistas. Por questões outras, acabei me identificando pessoalmente com o staff de anestesia do HU, talvez eu tome partido deles. É difícil ser imparcial... A questão é: existem dois

profissionais extremamente gabaritados em um sala cirúrgica, ambos sujeitos às mesmas vaidade e sujeitos a culpar o outro por eventuais erros, mesmo que mínimos.

   3) A questão da necessidade de um treinamento prático para o acadêmico. Eu entubei o paciente, mesmo sem ter tido nenhum treinamento prévio para tal. E não foi (talvez tenha ajudado) apenas porque ele era bandido. Eu, você ou qualquer um no mundo um dia foi ou será atendido por um acadêmico: infelizmente esta é única forma de se aprender medicina.

   Vejam que eu tratei de 3 longos e complexos assuntos no texto. Eu senti bastante dificuldade em resumí-los, eu acho que fiquei toda hora "sambando" entre deixar alguma coisa de fora ou transformar em uma colcha de retalhos desconexa.

   Esta foi a dificuldade que eu percebi. Alguém percebeu outra coisa marcante?

   Sid



Escrito por blog_oficina às 00h59
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De que lado você samba? - Cont.

Caro Mensageiro das Estrelas (Um heterônimo bem escolhido - título da aclamada obra de Galileu Galilei)

Em primeiro lugar seja bem vindo.

Em segundo lugar, não li teu comentário ao teu texto, até por que texto não precisa de bula... vejo tuas considerações depois de analisar.

Quando olhei o título, confesso que esperava algo diferente... mas ele cabe ao texto, isso é certo.

O texto tem viciosidades da fala bem claros em seu corpo.

 

Eu vi a via(tura) - abre com um eco, é um exemplo.

junto comigo - quando apenas a expressão "comigo" se faria necessária

Não me admira que tenham largado ele lá e ido embora -

ao invés de Não me admira que tenham-no largado e partido.

 

Tem erros no uso da pontuação como o caso dos dois dois pontos:

disse: temos um baleado: policial civil, dois tiros no peito era finalmente a sua vingança: "calma, vejam isto:"

 

Mas o que mais me incomoda, e isso é um aspecto meu que já citei em textos de outras pessoas, é o uso excessivo de frases curtas.

Parece que o texto está entrecortado.



Escrito por blog_oficina às 00h57
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De que lado você samba? - Cont.

Veja bem:

 

Versão original: Deixaram o colega e foram. Um comportamento que me chamou a atenção. Parece que também chamou a atenção de uns soldados PMs que estavam aguardando notícia do companheiro ferido.

 

Versão sem cortes: Deixaram o colega e foram, um comportamento que chamou não apenas a minha atenção, mas também a de Policiais Militares que ali aguardavam notícias sobre o companheiro ferido.

 

Versão original: Fomos conversando amenidades até a sala. Chegou o tal sujeito na sala.

 

Versão sem cortes: Fomos conversando amenidades até a sala onde encontraríamos o tal sujeito(o paciente). (o que poupa, inclusive, a repetição do termo "na sala")

 

O uso de reticências também se dá de forma errada... é outra viciosidade da escrita atual... colocamos as reticências toda vez que fazemos uma pausa para pensamento.

Um texto literário não as comporta, infelizmente. Não de forma abusiva.

 

É... Se fosse vagabundo não chegaria vivo ao hospital

Não dei muita bola à primeira impressão... Fomos conversando amenidades até a sala.

Acho que ninguém estava realmente preocupado com ele... Muito menos eu.

 

Três casos desnecessários de reticências contra:

 

"Escreve qualquer coisa..."

Um onde elas realmente se fazem pontuais.



Escrito por blog_oficina às 00h56
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De que lado você samba? - Cont.

O uso dos "que"s é quase abusivo. 13 em 483 palavras. Um para cada 37 palavras aproximadamente. O bom é tentar baixá-los para um a cada 50.

 

Sobre o tema?

Acho que ele ficou soterrado abaixo dos problemas do texto.

Acho que teria rendido mais se fosse mais detalhado, elaborado.

Há a matéria, mas falta o encantamento.

Com certeza há quem dirá, por ser um texto sobre um ato médico, que o texto é preciso como um corte, cirúrgico, blábláblá... Não te engane. O texto está confuso por estar entrecortado, mal pontuado, com excessos, com erros, ingênuo, aparentando ser um texto de um escritor jovem e com pouca bagagem de leitura em literatura. Não sei se és jovem, nem se tens pouca bagagem de leitura, mas é o que me passa a leitura.

Abraço

Anderson Santos



Escrito por blog_oficina às 00h54
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De que lado você samba? - Cont.

Anderson, por favor!

Mas... Anderson amigo. Você precisa ler Saramago. Urgente! Essas considerações que vocë fez aí sobre reticências mal-amadas e outros "erros de estilo" são coisas do passado. Eu estou preocupadíssima com esse texto lindo, não por causa dos lapsos na forma, que não o prejudicam, de maneira alguma, porque entendo que se trata aqui de uma linguagem corrida, coloquial, onde a pressa de salvar o paciente cuja vida corre

perigo parece se incorporar como uma luva no espírito da coisa. O que mais me preocupa, querido Andy, e meu pobre amigo Sid, é o "conteúdo", que realmente me

assusta e deixa-me perplexa. Pode ser que vocë tenha razão, meu bom Andy, sobre tudo que disse a respeito do texto do Sid, nosso ilustre desconhecido. Vejo-o, porém, de outra forma, porque tive a preocupação de ler o blog em peso. Digo-vos, caríssimos, sem medo de errar: é um autor cruel, que não poupa esforços nem palavras, para enfiar uma faca em brasa na garganta dos leitores. Esse texto incomoda pra caramba! Beijos,

abraços e saludos, para vocë dois! Maria José Limeira.



Escrito por blog_oficina às 00h51
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De que lado você samba? - Cont.

Olá Amigos,  

  Voltando a comentar os texto em pauta. Peço licença a todos para voltar.  

  Minha análise do Texto do Sid (posso chamar assim?)  

  Este texto não é literatura. Para escrever um texto não basta gosto e vontade, escrever e  fazer arte exigem técnica. O escritor, assim como qualquer outro artista, deve se utilizar de técnicas para escrever os seus textos.

  Este texto em questão não é literatura pelo simples fato da falta de universalidade. O assunto trata de algum drama numa sala de cirurgia despertando nos leitores pensamentos sobre temas universais? A meu ver: Não. Segundo a análise do próprio autor o texto coloca temas pertinentes à classe médica. Eu enquanto leigo em medicina não poderia saber sobre a disputa de egos e superegos dentro de uma sala de cirurgia num Hospital Universitário. Extraí do texto, tão simplesmente, a idéia da polícia, da cocaína e do tratamento que se dá a um drogado num hospital, como um "Não merecedor" de tratamento digno. Acredito que o texto tem sua força. Mas não o considero Literatura enquanto arte.  

  O texto é bem feito, bem pensado, uma crônica dirigida. Acredito que o autor usou frases curtas tirando um pouco de sabor de leitura tentando colocar um dinamismo que o próprio ambiente apresentava.  

  Acredito que o Sid deva investir nessa empreitada de escritor. Mas com um propósito, não deve dizer que não tem pretensão de ser escritor e escrever textos.

Escreva com vontade e leia com mais vontade ainda. Assim vai aprimorando a técnica e a arte de escrever.  

  Um Abraço apertado em todos os colegas da Lista.

  Espero voltar pra sempre agora.  

  Hilton Junior

..........

  

Olá, Hilton? Como vai?

Oi, Hilton? Grata a surpresa de vê-lo de novo aqui, atuando em nossa Oficina! Estive distante também, por uns tempos, envolvida em outros assuntos que não nos dizem respeito. Quanto à sua análise do texto de Sid, discordo. O texto de Sid é uma crônica bem escrita, bastante movimentada, enfocando a rotina de uma sala de cirurgia em hospital público. Não poderia haver tema mais atual, ainda mais que os personagens são os super-poderosos médicos e um fragilizado paciente com estigma da droga, e de classe social baixa, e ainda por cima, da policia civil, quase um bandido... Há coisa

mais universal do que essa situação? Aliás, digna de qualquer Saramago da vida (ou da morte, como queira).

Me aguardem, gentes lindas, que estou voltando agora!

Saludos & Abraços. Maria José Limeira.



Escrito por blog_oficina às 00h49
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De que lado você samba? - Cont.

Maria Linda,

  Espero que esteja tudo bem por aí...Qualquer coisa Grita!  

  Quando disse que esse texto não tem universalidade quero dizer que este texto não é um texto que vai ser lido por gerações futuras, não vai entrar como literatura, como arte. Não disse que o texto é uma crônica mal escrita, porque não é.

  O texto não é forte, não provoca um impacto e não tem o alcance que poderia ter uma crônica que trata de um assunto que todos possam conhecer, ou seja, identificar-se. Não descaracterizei o texto, só não o validei como literatura no sentido artístico da mesma.   

  Uma coisa é escrevermos crônicas, memórias, diários, poemas pílulas, quartetos etc. Outra coisa é produzir literatura. Rebati uma afirmativa do próprio autor ao dizer que seu texto é literatura, quando não é.Uma crônica descartável, hoje lemos, amanhã esquecemos. Não existe uma reflexão profunda do mundo e da vida do homem, sim uma situação corriqueira que diz respeito à pessoas que habitam o mundo dos hospitais. Quando lemos um texto de Saramago, sentimos um preenchimento de um vazio, que muitas vezes havíamos identificado e muitas vezes não. Mas o texto provoca esse preenchimento. Isso de fato é arte, é literatura.  

  Essa foi a minha impressão do texto, ele não me disse nada de novo, não preencheu nenhum vazio na minha existência, portanto não refleti o que poderia ter refletido se este texto fosse produzido de uma outra forma. O que eu quero chamar a atenção é para a diferença de uma crônica que descreve um fato e de uma crônica que é feita de forma literária, ou seja, de modo a entrar para a literatura de fato. Esse é o lance.  

  Abraços apertados e Cadê o pessoal da lista, quero tomar socos e pontapés. Estou contrariando a maioria? Cadë vocês...?  

  Abraços   

  Hilton



Escrito por blog_oficina às 00h45
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De que lado você samba? - Cont.

Hilton: AIAIAIAIAIIII!!!

Pronto! Gritei! Ah-ah. Você tem muita sorte que minhas dores passaram e eu estou muito feliz, embora cansada do excesso de trabalho. Hilton, eu não entendi patavina da algaravia que você colocou aí para explicar Saramago e suas próprias teorias estapafúrdias sobre umbigos médicos, e a respeito de pacientes drogados. Só lamento que vocês aqui estejam  perdendo o melhor da festa! Tudo bem, digo-vos com má vontade, porque minha opinião sobre o texto de Sid é completamente contrária à de vocês e à do próprio autor. Eu acho que o autor entregou os pontos antes da hora. E não me venha dizer, amigo, que não vai ler o blog do nosso Sid, porque está uma delícia, com polêmicas impagáveis, e um grande número de mensagens zangadas. Parece que o texto mexeu numa caixa de maribondos! Um abraço a todos. Saludos. Maria José Limeira.

...........

 

 

Oiessss....  

  Teorias e teorias no fundo quiseram dizer que não gostei do texto do Sid?

  Não disse isso. A única coisa que defendi e defendo é: Este texto não é literatura.Ele está bem escrito? Não analisei o texto gramaticalmente, o Anderson fez isso por nós.rsrsrs.  

  E vou ler o Blog do colega, sim. Vou ler e acredito com muita satisfação, não tenho nada contra o autor nem nada contra os textos lindos dele, claro que isso não me impede de analisar e dizer o que penso...  

  Abraços apertados.....  

  Hilton Junior



Escrito por blog_oficina às 00h44
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De que lado você samba? - Cont.

Oi amigos!!!

     Não tenho como agradecer os comentários.

     Eu escrevi um e-mail em pvt para o Anderson agradecendo os comentários técnicos, que são muito importantes para mim, uma vez que, nisto ele acertou, me falta a bagagem de vocês e é disso que estou atrás. Não cabe aqui discutir (como um comentador anônimo deixou em outro post do blog) que um "aneurisma roto" é impossível de se confundir com uma apendicite. Aqui eu quero aprender a escrever.

     É óbvio que eu como futuro médico, falando da medicina, tenho ma enorme dificuldade em me por no lugar de vocês, imaginar o que vocês não sabem e o que vocês sequer imaginam. Eu achei, por exemplo, que pelos (poucos e mal pontuados diálogos) ficasse claro a guerra não declarada entre cirurgiões e anestesistas. Não ficou. Guerra de egos é um fenômeno humano universal, portanto, eu deveria ter conseguido transmitir isto, uma vez que acho que é interessante passar ao leigo a visão de que algo mais ocorre na sala de cirurgia que apenas uma comoção para salvar o doente.

     Duas coisa surgiram que nada tem a ver com texto, mas tem a ver comigo:

     A primeira é que eu disse que não quero ser escritor e sim médico. Na realidade uma coisa não impede a outra, como temos brilhantes exemplos. Portanto não descarto esta opção nem que seja como estímulo para continuar fazendo este exercício que, acreditem, está sendo muito proveitoso. Não há absolutamente nada melhor que chegar em casa e reavaliar a sua experiência, especialmente quando ainda se está em formação e quando o seu comportamento emocional e a sua compreensão do "outro"são fundamentais para o sucesso da profissão.

     A segunda é que é óbvio que não me chamo "Sidereus Nuncius". Eu tenho uma boa desculpa para usar um pseudônimo aqui: como vocês me conhecem a partir da análise de textos em que relatos casos clínicos reais, eu busco manter o anonimato trocando dados simples do texto, e me mantendo em anonimato, para preservar a privacidade dos pacientes e a ética médica. Isto é uma boa desculpa, mas na realidade acho que não teria tanta coragem de criticar a classe e meus professores se assinasse. Talvez seja medo.

    Vou sair em pequenas férias hoje ainda, quando voltar acho que vou reescrever o texto seguindo as sugestões. Aí eu posto de novo só para me dizerem se ficou melhor... Estarei abusando?

     Sid

 

 

Visite o meu blog e, por favor, comente:

Aprendiz de feiticeiro:

Aprendendo a brincar de Deus entre símbolos humano

http://seiqnadasei.blogspot.com/

...........

 

Mas que droga!

Vamos ficar por uns tempos sem o nosso “paciente”? E sem a nossa principal “vítima”?  Ah-ah!  Feliz férias, amigo! Saludos. Maria José Limeira.



Escrito por blog_oficina às 00h41
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De que lado você samba? - Cont.

hehehehehe

Zezinha.. nosso principal alvo da semana entrou em férias... nossa diversão de dissecar um autor (que, análise passada ficou no texto do José Félix) vai ter que acontecer sem réu.

Saramago é leitura obrigatória e, sim, li-o e reli-o para entender o que se passava. Autor complicado que torna-se fácil é com o exercício. Autor dos bons.

Mas Saramago se livra de pontuações e torna o texto fluido. Toma o corriqueiro para si, mas sem viciosidades da fala. Saramago se livra de pesos, não os absorve.

Os pesos estão absorvidos no texto do Mensageiro das estrelas (prefiro o título que ele tomou para si em português). Vivo lendo e re-lendo artigos de colegas da faculdade, que me pedem para corrigí-los (como se eu fosse o expert do assunto, ora bolas) que carregam os mesmos problemas... Erros de quem pouco lê.

Por ser um leitor devorador de literatura gótica, que é cruel, incomoda pra caramba e vive a colocar-me facas na garganta (minha coleção de Stephen King, Edgar Allan Poe, e Neil Gaiman é, no mínimo, invejável), não vejo na crônica esses adjetivos que

colocaste. Acho-a ainda ingênua, e vejo que ainda pode ser muito bem trabalhada.

Não estou desmotivando nosso novo colega. Muito pelo contrário. Se achasse que ele não tem condições de fazê-lo melhor, nem me manifestaria.

Abreijos do amigo e fã, mais fã a cada crônica do amanhecer.

Anderson

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Andy, por caridade! Ah-ah! Esqueça os erros passados, em se tratando de Crítica Literária. Enquanto Saramago não usa um ponto em seu escritos, nos meus abundo-os!

Quando eu digo Como vai, vem logo a seguir um ponto de interrogação, e sem isto estaria desarmada. Mas, o caso aqui é outro. O autor Sid, nosso belo amigo (ô coisa linda!) escreve como fala. E ponto final! Mas, você quer botar linguagem culta numa sala de cirurgia, com um drogado baleado, perdendo sangue, e uma equipe médica cheia de não me toques! Mas que coisa, gentes lindas! Esqueça os acentos dos porquës, porque o que interessa é bem mais grave. Saludos, e obrigada pela sua participação. Maria José Limeira.



Escrito por blog_oficina às 00h39
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De que lado você samba? - Cont.

DE QUE LADO VOCÊ SAMBA?

Um texto de Sidereus Nuncius

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Para se entender “De que lado você samba?”, de Sidereus Nuncius, é preciso entender, antes, a simbologia do ato médico, as várias nuances das especialidades da área, e por que um profissional de Saúde escolhe uma dentre elas, como campo de atuação.

A partir mesmo do título, é um texto político.

Esse texto transpõe para a ficção (campo da fantasia) o que vi antes num livro que chamou minha atenção, “Poder e impotência do discurso médico”, cujos nomes dos autores me escapam. Mas, lembro-me que é uma obra crítica sobre a postura desses profissionais. Inclusive, foi o único livro a nos informar que é errado nomear como “histérica”  somente a mulher, pois o homem (o masculino) também é vítima desse mal, observando-se as manifestações psicossomáticas. Porém, as obras científicas, até hoje, continuam neste mesmo erro.

Como o citado livro eu o perdi num acidente de percurso, quando me foi surrupiado em minha casa por um amigo, senti falta desse ponto de referência, e não podendo cita-lo agora, na análise desse texto de Sidereus Nuncius, recorri à internet para recuperar o tempo esquecido, e encontrei interessante estudo sobre a vocação médica que nasce, como qualquer outra, a partir dos campos psicológicos, sociais e econômicos, e depende de valores como bens materiais e bens simbólicos, que permeiam os desejos do indivíduo. Os bens materiais giram em torno do dinheiro que traz poder; os bens simbólicos se referem aos conhecimentos culturais.

Vamos ver, na prática o que isto significa quando se observa as classes sociais, que se organizam conforme três posições básicas:  a) classe popular, relacionada com as profissões manuais agrícolas, operários e pequenos comerciantes; b) classe média, referente a funcionários, empresários industriais de porte médio, comerciantes, técnicos e dirigentes de nível médio; c) classe superior, relativa a grandes administradores, diretores e membros das profissões liberais. (Bourdieu-1987). Os médicos, como se vê, estão incluídos na “classe superior”.

Como o texto do amigo Sid inclui representantes de algumas especialidades médicas, numa sala de cirurgia, entre eles, os cirurgiões e assessores, o anestesista, enfermeiros e um estudante de medicina, personagem narrador da história, e crítico ferrenho de toda a cena teatral, além do paciente, é claro, atingido por uma bala no peito, temos aí um verdadeiro circo armado, onde o que menos interessa é o resultado.

Interessante observar também a tensão existente com relação à expectativa  quanto ao desempenho da equipe na tentativa de salvar a vítima, embora já tenha ficado claro que um paciente drogado estaria no último patamar da escala social e... quem se importa? quem se importa? quem se importa?

Os médicos formam uma classe desunida, quando o que está em jogo é a concorrência para ver quem ganha mais dinheiro às custas dos infelizes pacientes, numa indústria que vive mais da miséria do que da opulência. Porém, unem-se quando se trata de defender a corporação contra os predadores externos civis e incultos.

Por outro lado, há na profissão finalidades a cumprir, umas mais perto outras mais longe do paciente como corpo físico, vocações masculinas ligadas à Cirurgia, vocações femininas como Pediatria e Ginecologia, e especialidades ditas comunistas como Medicina Preventiva, outras consideradas inúteis como a Psiquiatria  e algumas intermediárias como as Análises Clínicas e os Anestesistas. (?). Não sei se acertei quanto aos Anestesistas, vez que estes não foram citados no trabalho que consultei.



Escrito por blog_oficina às 00h36
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De que lado você samba? - Cont.

Pode um texto assim ser considerado “literário”?

Ah! Sim! Sim! & Sim!!!

Por que não?

Porque sim, oras!

(E diga-me, Anderson Santos, se eu não estiver falando a verdade!)

O texto tem movimento, linguagem, drama e tensão, conta uma história interessante, põe em  debate o confronto do poder médico  versus a impotência diante da morte, numa cena que se agita num espaço exíguo,  aproximando e/ou separando os personagens, como num barco em perigo onde a dignidade de cada um depende do desempenho de todos. No meio desse drama, um narrador cínico, crítico voraz e irreverente, sarcástico até dizer basta, cuja ação interior duvida da suposta competência do mestre, o Cirurgião, e  zomba das opiniões de um Anestesista que parece comandar o espetáculo, embora sem cabimento.  No meio desse jogo de poder e, em plena fogueira de vaidades, um humilde paciente das classes inferiores agoniza e, para cúmulo do azar, vítima de bala no peito, agravado pelo  vício das drogas.

Diz o autor que, ao final da cena, o paciente escapa.

Mas, isto não fica claro no texto, o que, ao invés de invalidá-lo, justifica-o, levando o leitor à decisão conclusiva sobre o desfecho.

Concordamos com o Anderson. O texto precisa de um corretor ortográfico e uma revisão de estilo, para ganhar elegância.

Mas, o principal dele está intacto, imune à danação dos seus personagens.

E quanto ao trabalho em que nos baseamos para emitir toda essa lenga-lenga sobre os procedimentos médicos e suas variantes de entrelaçamentos com os doentes, trata-se de “Especialidades médicas: estudo psicossocial”, de Maria Luiza de Mattos Fiore1 (Universidade Federal de São Paulo), fonte:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722005000200008&lng=es&nrm=iso&tlng=pt

E quanto à reflexão do autor, quando diz, em auto-análise, que é “médico” e não “escritor”, não concordo, e arrisco um conselho: - Seja, antes, escritor e, na horas vagas, médico!

 

(Maria José Limeira Ferreira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



Escrito por blog_oficina às 00h35
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De que lado você samba? - Cont.

Bom...

      Cheguei hoje.

      Li os comentários sobre o meu texto, e gostei muito  do que vi. Achei-os estimulantes o suficiente para que eu tentasse  reescrever o texto. Vou tentar agora de forma rápida, só para escutar  comentários sobre o que perdi e o que ganhei, para ter subsídio para os  próximos textos... Gostaria de contar mais uma vez com o apoio dos  colegas... Mas isto tb não quer dizer que eu vá ficar reescrevendo cada  texto futuro, cada vez que vocês comentarem... É só uma tentativa de  quem está tentando começar...



Escrito por blog_oficina às 00h31
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De que lado você samba? - Cont.

      Eh... Quanto a ortografia... Eu sei... Mas é que  tive que desligar o corretor do Word devido aos termos técnicos e  expressões em inglês dos trabalhos acadêmicos... Mas eu vou dar um  jeito nisto... Ignorem só mais este vez...

      Obs.: Tudo bem que escrevi rápido, não é lá algo  muito eleborado/lapidado, mas estou sentindo pouca emoção no texto.  Quando escrevi a primeira versão, as imagens eram vívidas e ainda me  impressionavam... Agora eu tento apenas fazer uma "redação"... Sei  lá... Este negócio de escrever, eu achei que fosse mais fácil...

     Acho que as evoluções surgirão nos próximos...

Sid

 

De que lado você samba?   

       

Eu tinha pedido para ir jantar em casa e ele deixou  pois tinha decidido tornar-me um anestesista, independente da minha  vontade. Chegar no centro cirúrgico com bafo de cerveja seria, no  entando, um pouco demais. Por isto me detive por apenas alguns segundos  para cumprimentar os colegas que bebiam em frente a entrada da  emergência, tempo suficiente para perceber a viatura da Polícia Civil  chegar e deixar um baleado. Minha próxima vítima, pensei. Percebi  também que os policiais saíram sem dar muitos detalhes ou se preocupar,  comportamento que chamou a atenção dos soldados da PM que aguardavam  notícias de um companheiro ferido. Mundo-cão.

      Entrei no hospital e subi as escadas correndo com  certa ansiedade sádica e sedento de sangue humano. Já me trocava quando  ele entrou reclamando da minha demora e disse que tínhamos um baleado:  policial civil atingido com dois tiros no peito. A surpresa dos  soldados era agora minha, porque aquela viatura tinha ido embora? Por  outro lado, dificilmente um bandido chegaria vivo ao hospital...

      Ao entrarmos na sala ele me explicava que o bom  anestesista tinha duas funções: manter vivo o doente e acalmar aquela  criatura desagradável chamada "cirurgião". Quando trouxeram o paciente,  ele veio acompanhado de uma barulhenta tropa de residentes de cirurgia  que carregavam uma bolsa de sangue cheia e outra vazia, preso nele  havia um dreno no pulmão, já quase cheio e que não parava de colher  mais sangue. Pela agitação dos alunos, percebi que ambas as tarefas do  anestesista não seriam nada fáceis aquela noite.

      Finalmente conseguimos nos aproximar do doente para perguntar as coisas de sempre: horário da   última refeição, se ele era alérgico a alguma coisa, se ele já tinha feito   alguma cirurgia antes e se ele havia se drogado. Respondeu "não" com a cabeça a   todas as questões, mas na última arregalou os olhos. Cocaína? Depois de   alguns segundos imóvel fez que sim, timidamente, com a cabeça.

      Isto explicava muita coisa: estava se drogando, foi  reconhecido por marginais e teve que ser resgatado pela equipe de  plantão na delegacia, colocando a vida de seus colegas em risco, não me  admira que tenham largado ele lá e ido embora.

    Assim que entrou, esperado como a  estrela do espetáculo, com o gesto simbólico das mãos para cima, o  cirurgião parou para escutar a residente que disse que o paciente iria  acabar com o sangue do hospital. Era tudo que precisava para poder  anunciar de forma triunfal com um certo ar superior: "Vamos abrir...  Assim que os anestesistas fizerem o favor de prepará-lo".



Escrito por blog_oficina às 00h29
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De que lado você samba? - Cont.

  Assim que a cocaína fez o favor de permitir a ação  de nossas drogas, o anestesista pegou o laringoscópico e me entregou  confiante: "Vai, entuba". Eu nunca tinha feito isto antes, era a minha  chance de aprender. Acho que ninguém estava realmente preocupado com  ele... Muito menos eu.

    Neste momento, já reinava a confusão na  sala, discutiam os cirurgiões: dois staffs e uns três residentes. Não  sabiam exatamente o que fazer e, aparentemente, a nossa opinião não  contava muito. Foi aí que o anestesista percebeu a sua chance de  vingança e, com uma pitada de sarcasmo, chamou a atenção da equipe para  si e aplicou pressão positiva no respirador, isto fez com que o pulmão  colapsado se inflasse e tapasse os furos de bala. O doente parou de  sangrar, enquanto a equipe olhava sem parecer acreditar.

     Pouco tempo depois, diminuímos a pressão e retiramos o tubo. Todas as  etapas completadas: o doente salvo, vivo e respirando, mas nada dele  voltar. A quantidade de droga necessária para anestesiá-lo sob efeito  da cocaína simplesmente impedia que ele acordasse. Não respondia a  nenhum dos estímulos usuais.

      O anestesista, no entando, já dava a sua missão  cumprida e, não se sentindo mais solidário com ele do que seus colegas  de armas, disse para a enfermeira: "Monitora ele que eu vou jantar".  Convidou-me para ir com ele e neste momento eu percebi que as relações  políticas dentro da universidade tinham se tornado mais importantes  para mim do que a vida de um viciado, que financiou a própria bala que  quase o matou.

     Enquanto saíamos, a residente de cirugia perguntou, ainda atônita, o  que deveria escrever na ficha, uma vez que tinha que justificar todo  aquele circo armado. O anestesista nem olhou para trás, apenas disse  com desdém: "Escreve qualquer coisa..."

    Neste dia eu aprendi a entubar e tive  noções de perfuração por projetís de alta velocidade, mas a verdadeira  lição foi dada àquela futura cirurgiã, que viu que tem um colega em  quem confiar na sala.

    Sid  

 

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Aprendiz de feiticeiro:

Aprendendo a brincar de Deus entre símbolos humanos

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Escrito por blog_oficina às 00h28
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De que lado você samba? - Cont.

Sid,  

  Olha só:  

  É muito complicado escrever as nossas próprias emoções, ou mesmo quando estamos sentindo na pele, ou seja, quando o fato acontece na pessoa do autor, qualquer tipo de texto literário.  

  Uma vez o colega, ausente, Ademar Ribeiro me disse ao analisar um poema meu que eu devia olhá-lo com distância. Não podia sentir as emoções que me fizeram escrevê-lo. Esta aí a maior dica, você não pode sentir e escrever o sentimento seu. O escritor precisa estar à margem da situação para lapidar e deixar o texto melhor, com emoções, com universalidade. Ninguém sente as coisas que você sente, da forma como você sente. Pense nisso. Os poetas não escrevem o que sentem nem o que vivem. Poetas são fingidores. Sabem sentir o sentimento (sem redundância) do mundo e fazer deste: ARTE.  

  Grande Abraço e continue assim. O crescimento se conquista com determinação, com estudo e com humildade.  

  Hilton Junior



Escrito por blog_oficina às 00h25
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De que lado você samba? - Cont.

Oi, Sid!

Vou ser muito sincero com você. O seu texto melhorou um pouco, mas acho que ainda está aquém do que você pode fazer. Para um texto ficar bom, você precisa se dedicar a ele, e não vejo você fazendo isso. Segundo você mesmo disse: "Cheguei hoje. Li os comentários sobre o meu texto, e gostei muito do que vi. Achei-os estimulantes o suficiente para que eu tentasse reescrever o texto. Vou tentar agora de forma rápida, só para escutar comentários sobre o que perdi e o que ganhei, para ter subsídio para os próximos textos..."

Pois é, você tentou de forma rápida, esse o problema. Vai chegar um dia em que você escreverá de forma rápida e o texto ficará quase perfeito, mas isso leva tempo e exige muito treino. Eu tenho um chefe que, quando você entrega um trabalho, costuma perguntar se a primeira  versão. Se for ele nem olha. Diz: quando estiver na terceira versão você me mostra, pois sabe que muito coisa terá de ser revista. Tenho um livro de contos do grande Guimarães Rosa, Sagarana, em que aparecem várias páginas rabiscadas, pra mostrar o quanto ele reescrevia e reescrevia os seus textos, e mesmo assim nunca ficava satisfeito.



Escrito por blog_oficina às 00h22
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De que lado você samba? - Cont.

Se você quer apenas escrever de forma rápida, tudo bem, mas se quer ganhar qualidade nos seus textos, como parece ser, vou te dar um conselho. Escreva, reescreva, revise o texto até chegar ao ponto em que você possa dizer: eu fiz o meu melhor, não consigo fazer mais que isso. Então, poste o seu texto aqui e espere os comentários. Te garanto que vai valer a pena. Do jeito que você faz, escrevendo de forma rápida, fica parecendo que está querendo se justificar, como se dissesse: sei que não está bom, mas escrevi de forma rápida, só pra escutar comentários. Tenha a coragem de dizer: está aqui o melhor que pude fazer, alguém pode me ajudar a melhorar? Só um toque!

Agora, com relação ao seu texto, posso dizer que ele começou a me incomodar mais, e isso é bom. Ficou mais claro, agora sei o que aconteceu com o policial no final, que antes não estava claro, como a Maria bem disse. Agora, quando você disse: "Acho que ninguém estava realmente preocupado com ele... Muito menos eu." me deixou muito

preocupado. Entendo que os médicos, depois de formados e ao longo da profissão, acabem por criar um certo distanciamento em relação aos pacientes, e acho isso até necessário, para a própria saúde psíquica do dele. Mas ver esta postura tão fria em você, que ainda é um estudante, me incomoda muito. Sei que acabamos romantizando demais a profissão do médico, e só quem está lá vivendo toda a tensão da sala de cirurgia pode falar com propriedade, mas penso que você deveria refletir mais sobre isso ao longo da sua carreira. O anestesista pediu pra você entubar o cara, coisa que você nunca tinha feito. Se fosse parente dele ele faria isso? Duvido muito!! Mas sei que é assim que as coisas funcionam, paciência. Este é o mundo em que vivemos, e fomos nós que o criamos assim.

Sei que é difícil, mas procure não exagerar neste distanciamento médico-paciente. Pense que um parente seu pode um dia passar por isso, uma pessoa querida, e você não vai estar lá pra ajudar.

Desculpe se estou sendo duro com você, só estou pondo pra fora as emoções/considerações que o seu texto despertou em mim.

Abs

Denílson Neves



Escrito por blog_oficina às 00h21
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De que lado você samba ? - Cont.

Serei breve, porém, sincera.

 Bem, Senhoras & Senhores. Temos aqui um caso raro, nesta Oficina Literária. Um autor que refaz seu texto, em atenção às indicações que colheu aqui e lhe foram passadas generosamente pelos colegas. Geralmente, no fogo das vaidades, certos autores não querem voltar atrás e continuam insistindo que não mudarão seus textos, e fim de papo. A crônica do Sid é um texto cruel, e está sendo levada ao pé da letra, como se o personagem fosse o autor, quando todo mundo sabe que nem sempre é assim: o eu-lírico nos prega peças! Estou escrevendo um livro chamado "Contos cruéis", meu único livro cujo título nasceu primeiro (geralmente,escrevo o livro primeiro e depois escolho um título!). Nesse meu livro, todos os personagens são reais, mas tão fantasiados e recriados que dificilmente as pessoas que me inspiraram se encontrarão neles ao lê-los. Bem, o que quero dizer é o seguinte. Existe um autor, na Literatura Brasileira, que escrevia memórias (e são deliciosas suas memórias), onde o mais que fez foi "vingar-se" daqueles que o haviam agredido um dia, e sobre os quais disse cobras e largatos, com todas as letras, e disse-o muito bem, e com toda a razão. É o Pedro Nava, que também era médico. Mas, aqui, o papo é outro. Exige-se desse autor, que usa o pseudônimo de "Sid", não somente que escreva bem. Mas que aja, acima de tudo, de acordo com as normas do "politicamente correto". Aí isto começa a me incomodar. Ora, ora & ora. Lições de moral? Aqui? Esse rapaz é, como se vê, um escritor iniciante, que escolheu a Medicina como vocação. Mas, ao seu escrito cruel (ao seu eu-lírico) não interessa o politicamente correto, e sim revelar o lado podre da Medicina, como existe o lado ruim do Jornalismo, da Segurança, e/ou do Governo, (quem sabe, também, da Literatura?) etc. E blá-blá-bláááá! Nesta nova versão do texto reescrito, para mim as coisas parecem mais claras. Porém, é um texto frio, sem emoção, perdeu a ironia original e, mais, ficou prolixo, perdeu a concisão. Mas, não deixa de revelar um escritor a cujo nascimento temos a honra de assistir e partilhar.  Parabéns, amigo Sid. Saludos e desculpe se me alonguei demais. Maria José Limeira.



Escrito por blog_oficina às 00h17
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De que lado você samba? - Cont.

Oi pessoal!!!

     (Maria! Adoro você, sem nem ao menos conhecê-la! Não tenho como agradecer os elogios, mas o que eu gosto mesmo é de apanhar!!! ;-))

     Brincadeira...

     Eu, mais uma vez, concordo com o que meus "críticos" disseram. Eu deveria, até por uma questão de respeito a vocês, ter feito algo com mais esmero... Mais um erro bem apontado...

     Mais uma vez tb eu poderia ter enchido de desculpas, do tipo "voltei já em aulas...", "não tive tempo...", mas a verdade não é esta.

     A verdade é que eu estava ansioso demais para ter uma resposta que eu tive: o texto ficou claramente diferente. Ambos foram escritos às pressas: um no calor da emoção do fato em si e o outro no calor da ansiedade de saber como ficaria melhor. Talvez se tivesse escrito com mais cuidado o segundo, tivesse a comparação de estilos sido desvantajosa para o primeiro. Talvez... (Boa desculpa, não?)

     Não pretendo definir o meu estilo tão rapidamente, mas a opinião de vocês certamente está influenciando e muito, muito mais do que vocês mesmo podem imaginar... O próprio fato de eu hoje pensar em "estilos" é uma grande evolução...

     Por questões pessoais passageiras (estou dando apoio a uma doença na família, graças a Deus com uma grande perspectiva de melhora rápida e total), estou meio longe do hospital, mas em breve estarei de novo em busca de emoções para escrever... Quando for o caso, espero que o que vier, venha bem melhor e prometo só colocar para análise por aqui algo "pronto" (mas não imutável...).

     Outra coisa que eu gostaria de comentar é que se antes eu já havia percebido uma melhora na minha capacidade de observar os fatos só para botar qualquer coisa no papel, hoje, me preocupando com o estilo e com a compreensão dos leitores vejo as coisas de maneira muito diferente: observo mais e penso mais nos fatos que observo. É realmente impressionante...

     Sid



Escrito por blog_oficina às 00h15
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De que lado você samba? - Cont.

Senhoras e senhores, querida e doce Maria, Sid,

Em primeiro lugar, quero dizer que o Sid não é o primeiro a refazer um texto aqui na lista. Tivemos um caso recente da Ana, que, aliás, anda sumida, espero que volte logo.

E mesmo que fosse um caso raro, isso não invalida nada do que eu disse, com o que o autor pareceu concordar. Como ele mesmo disse, é até uma questão de respeito aos amigos. Eu mesmo já refis textos que coloquei aqui antes da hora, e fiquei com vergonha de reenviar, pra não abusar dos colegas. Sei que com alguns eu fiz isso, mas menos do que realmente acontece.

Sid, tudo o que disse aqui continua valendo e, se digo, é pra tentar te ajudar, pois é pra isso que voce está aqui, ou não é? Não sou o dono da verdade, digo o que penso, e você acata se achar que deve. A intenção é sempre a de ajudar.

Só quero fazer um esclarecimento. Não estou dizendo pra você só colocar textos bons aqui, mas textos onde voce deu o máximo de si.

Literatura se faz com o suor dos neurônios, li isso em algum lugar, e concordo.

Tem outro pensamento que aparece muito por aqui e que eu gosto muito:

"Eu preferia ser vaiado por um bom verso a ser aplaudido

por um verso ruim". (Victor Hugo)

É por aí.



Escrito por blog_oficina às 00h13
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De que lado você samba? - Cont.

 Quanto ao julgamento ético/moral, eu o fiz como leitor, e não como crítico. Gostaria que você o interpretasse como feito por um dos leitores do seu blog, pois acho que é isso que você busca, conhecer os sentimentos e percepções de quem lê os seus textos, estou enganado.

Desculpe se não foi você quem disse "...muito menos eu.", mas foi uma passagem que me incomodou no texto, e dei minha opinião sincera.

Não estou querendo te julgar, apenas te dar um toque, como amigo, pois acho que, aqui na lista, podemos ser mais do que críticas analisando textos friamente. Tente ver o que eu disse como comentários de um amigo expressando seus sentimentos e querendo te

dar um toque, não um crítico (aliás, nem tenho gabarito pra criticas literárias, só tento ajudar).

Se o personagem não é você, melhor assim, mas continua valendo os meus comentários. Comentários de quem não é o dono da verdade, mas expressa o que sente.

Quero te dar mais uma dica, que considero a mais importante pra quem escreve. Uma coisa que o Anderson já te falou e quero reforçar.

Leia. Leia o mais que puder. De preferência bons autores. Isso vai valer mais que qualquer analise literária que você receba aqui.

 

Se leio

Enleio

Se escrevo

Me vejo

 

Paz e luz a todos da lista,

Denílson



Escrito por blog_oficina às 00h11
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De que lado você samba? - Final

A todos,

      Realmente concordo, e estou sendo sincero, com o Denilson em relação à literatura.

      Agora em relação à moral...

      O personagem de meus textos sou eu mesmo. E disse  que "não me importava" porque efetivamente "não me importava".  Reproduzi o mesmo sentimento que Pessoa teve quando disse que uma dor  de dente lhe incomodava mais que um terremoto na China.

      Estarei sendo cruel demais?

      Talvez.

      Mas preciso dizer que o que eu narro não é nem a  metade da crueldade que se vê na madrugada em um pronto-socorro de uma  grande cidade. O que vemos são pessoas anestesiadas de sentimento. Não  percebo mais sentimento nos que me criticam por admitir (com certa  revolta contra mim mesmo) que eu "não me importei" com uma vida, eu  percebo (quando parte de colegas que passaram pelo que passei, não em  relação a vocês) apenas hipocrisia.

      Quantas vezes vi professores que dão discursos  ultra-humanistas em sala recusando pacientes por endereço ou falhas de  encaminhamento? Quantas vezes vi prescrições de água-destilada  injetável para "dar uma lição no paciente"? Quantas vezes vi o descaso  com o sofrimento psíquico, a "gênese do vício" em benzodiazepínicos ou  "esquecimento" de encaminhar ao CAPS ou a psicologia?

      Repare que todos estes fatos que eu estou dizendo  são fatos éticos e considerados certos e até louváveis pelos colegas e  pelo CRM. Mas assumir que não estava emocionalmente envolvido com um  policial que colocou a vida de seus colegas em risco para sustentar um  vício é, efetivamente, um pecado. Tomamos todas as medidas necessárias  para que a vida fosse mantida, não que eu me importasse mas apenas por  dever profissional.

      Esta crueldade que vejo nascer e crescer em mim  realmente me incomoda, por isto escrevo. Mas não me vejo ética nem  moralmente "pior" do que muitos dos colegas que fingem que ela não  existe.

      Sid



Escrito por blog_oficina às 00h09
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RECADO PARA CÁRMEN NEVES:

Prezada amiga. Recebemos seu livro “A magia do Farol”,

um romance inquietante, que realmente preencheu

nosso domingo de sol, e deu-nos grande alento.

Falaremos mais sobre ele, assim que conseguirmos abrir

um espaço em nossa agenda apertada.

Adianto-lhe, porém, que estou  impressionada com

a capacidade criativa e o poder de imaginação da autora!

Um abraço e saludos.

Maria José Limeira.

 



Escrito por blog_oficina às 19h44
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