blog da oficina literária


Ao amigo Zé Ronaldo

Trata-se (a crônica de zé ronaldo) - e já que ninguém quis comentá-la -  de uma maneira nova de fazer crítica literária, expondo uma reflexão sobre a emoção que um livro nos causou. Interessante que o texto é cheio de rasgadas emocionadas, que vão até as lágrimas (por que lágrimas? meu livro seria tão triste assim?). Interessante é que alguns leitores da minha terra, que leram o livro, disseram-me, ao contrário, ter dado boas risadas! Ah-ah! Os autores têm esse poder estranho de captar lágrimas e/ou causar as boas gargalhadas dos seus leitores. Quando isto acontece, é porque o livro atingiu seu objetivo. Aviso aos doces companheiros que esse livro revela o lado literário que é realmente a minha grande jogada como escritora. E os versinhos que por acaso também emocionam meus leitores são apenas pequenos passos em direção ao meu imenso mar, que é a Prosa. Eu me encontro mais na Prosa do que no Poema. Um abraço ao zé, e obrigada a todos por receberem meu livro com tanta alegria. Saludos. Maria José Limeira.


Escrito por blog_oficina às 21h00
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Sobre o livro "Crônicas do amanhecer"

Crítica ao amanhecer

Senhores, eis o rebento, fruto do livro de nossa mui prezada colega, escritora, poestisa e amiga Maria José Limeira. Espero suas críticas (a qualquer momento, manhã, tarde ou noite). Mandem-me retorno, ok? Abraços. José Ronaldo.

 

 

CRÍTICA AO AMANHECER

(José Ronaldo)

 

Eu estava morto para a leitura. Muitas contas, muita briga doméstica, muita confusão em minha mente, limitando-a, não a permitindo expandir ao infinito como sempre pretendi. Uma grande amiga minha, que nunca vi em persona, mandou-me uma obra sua, um livro de crônicas, que esperei quase dois meses para lê-lo.

Foi num domingo à noite, dia calmo, tranqüilo, sem pelejas. Joguei meu pifinho apostado a tarde inteira e ganhei um bocado. Estava sereno. Comecei a empreitada de desvendar a escrita de minha amiga. Porém, estava eu tão pré-disposto à emoção naquele dia, com os sentimentos tão aflorados na pele, que fora uma crônica e uma torrente de lágrimas, uma crônica e outra vez mundaréu de água a verter dos olhos. E eu lá, caboclo velho, corpanzil para mais de dois metros de altura, a chorar feito menina nova que esperou uma semana inteira para ver o primeiro namorado que nunca mais apareceu. Arrasou-me a existência o tal livro de crônicas, considerei-o um co-irmão de dores, ou melhor, sua escritora desvendou a enigmática dor que me corroia fazia muito tempo, desde que a primeira lufada de ar invadiu-me os pulmões. Minha dor era pública. Pior. Não era só minha, era dos outros também.

Como fiquei contente e puto, ao mesmo tempo. Contente pois não era o único a me sentir daquela forma. E puto por, masoquistamente, não ser o bode expiatório do mundo.

Dia seguinte, antes de ir trabalhar, continuei a minha sessão de leitura, mas já não estava tão romântico quanto na véspera. Minha desesperança e meu pessimismo, características tão marcadas a brasa, soco, ferro e pontapé em mim e que eu pude observar na obra também, agradando-me muito, não foram dirimidos. Eu e Wether não choramos mais.      

Não por falta de motivos , o livro continuou a deliciosamente suprir-me daquilo que eu mais gostava: uma melancolia corrosiva. Porém, eu o estava analisando, naquele segundo momento, racionalmente, e extraindo-lhe todo o substrato que serviria para a construção de meu ser, a medida que se absorve uma leitura.

Contudo, preciso fazer aqui uma ressalva, o livro em si, tratava-se mais de esperança do que o que contrariamente se possa pensar. Minha ótica é que o deturpava, e isso me trazia um gozo ferrenho. Ainda não terminei de ler o livro. Talvez não o termine nunca, pois quero reter na minha não mnemônica memória, aquela noite de lágrimas torrenciais e de cumplicidade com aquela minha amiga escritora que nunca vi pessoalmente, aquela sensação de leitura de alma que eu fiz dela e ela de mim. Já provei muito da paixão, conheço-a bem e a adoro. Vivo hoje o morno amor, aquele desvirtuoso e sacro-santo sentimento, parado, estático, aniquilador de sonhos. Li um livro de crônicas e descobri o sublime.

 

Fonte:

Comunidade “Oficina Literária”

www.orkut.com



Escrito por blog_oficina às 21h41
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