Sobre o livro "Crônicas do amanhecer"
Crítica ao amanhecer
Senhores, eis o rebento, fruto do livro de nossa mui prezada colega, escritora, poestisa e amiga Maria José Limeira. Espero suas críticas (a qualquer momento, manhã, tarde ou noite). Mandem-me retorno, ok? Abraços. José Ronaldo.
CRÍTICA AO AMANHECER
(José Ronaldo)
Eu estava morto para a leitura. Muitas contas, muita briga doméstica, muita confusão em minha mente, limitando-a, não a permitindo expandir ao infinito como sempre pretendi. Uma grande amiga minha, que nunca vi em persona, mandou-me uma obra sua, um livro de crônicas, que esperei quase dois meses para lê-lo.
Foi num domingo à noite, dia calmo, tranqüilo, sem pelejas. Joguei meu pifinho apostado a tarde inteira e ganhei um bocado. Estava sereno. Comecei a empreitada de desvendar a escrita de minha amiga. Porém, estava eu tão pré-disposto à emoção naquele dia, com os sentimentos tão aflorados na pele, que fora uma crônica e uma torrente de lágrimas, uma crônica e outra vez mundaréu de água a verter dos olhos. E eu lá, caboclo velho, corpanzil para mais de dois metros de altura, a chorar feito menina nova que esperou uma semana inteira para ver o primeiro namorado que nunca mais apareceu. Arrasou-me a existência o tal livro de crônicas, considerei-o um co-irmão de dores, ou melhor, sua escritora desvendou a enigmática dor que me corroia fazia muito tempo, desde que a primeira lufada de ar invadiu-me os pulmões. Minha dor era pública. Pior. Não era só minha, era dos outros também.
Como fiquei contente e puto, ao mesmo tempo. Contente pois não era o único a me sentir daquela forma. E puto por, masoquistamente, não ser o bode expiatório do mundo.
Dia seguinte, antes de ir trabalhar, continuei a minha sessão de leitura, mas já não estava tão romântico quanto na véspera. Minha desesperança e meu pessimismo, características tão marcadas a brasa, soco, ferro e pontapé em mim e que eu pude observar na obra também, agradando-me muito, não foram dirimidos. Eu e Wether não choramos mais.
Não por falta de motivos , o livro continuou a deliciosamente suprir-me daquilo que eu mais gostava: uma melancolia corrosiva. Porém, eu o estava analisando, naquele segundo momento, racionalmente, e extraindo-lhe todo o substrato que serviria para a construção de meu ser, a medida que se absorve uma leitura.
Contudo, preciso fazer aqui uma ressalva, o livro em si, tratava-se mais de esperança do que o que contrariamente se possa pensar. Minha ótica é que o deturpava, e isso me trazia um gozo ferrenho. Ainda não terminei de ler o livro. Talvez não o termine nunca, pois quero reter na minha não mnemônica memória, aquela noite de lágrimas torrenciais e de cumplicidade com aquela minha amiga escritora que nunca vi pessoalmente, aquela sensação de leitura de alma que eu fiz dela e ela de mim. Já provei muito da paixão, conheço-a bem e a adoro. Vivo hoje o morno amor, aquele desvirtuoso e sacro-santo sentimento, parado, estático, aniquilador de sonhos. Li um livro de crônicas e descobri o sublime.
Fonte:
Comunidade “Oficina Literária”
www.orkut.com
Escrito por blog_oficina às 21h41
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